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Um pouco sobre os tais “trabalhos voluntários”

junho 27, 2011 2 comentários

Gente, complementando o outro post, vou falar sobre os tais trabalhos voluntários . O que são eles? Nada mais do que trabalhar de graça! A verdade é que não precisa sair de onde você está para fazer isso, em qualquer lugar do mundo ter trabalho voluntário, de moda ou não. Afinal de contas, quem não quer ter alguém para ajudar assim, por nada? Então a coisa fica na base dos Qis , sorte(minha amiga!) e da cara de pau(presente!) Aqui tem alguns sites onde você pode se inscrever para fazer esses trabalhos, gratuitos ou não, e onde vai conhecer gente que está com o mesmo interesse que você. Tem um ótimo,que serve para o mundo todo: www.whoistesting.com  Esse site nada mais é do que gente que está a fim de montar um portifólio. É ligado a moda, e tem stylists, modelos, fotografos que querem juntar o útil ao agradável, que é conhecer gente na indústria e ganhar prática ao mesmo tempo. Ele não é só para Londres, tem até para cidades no Brasil! E tem um daqui que é excelente para quem quer trabalhar com artes em geral, trabalho pago ou não:  www.artsjobs.org.uk  Já olhei bastante esses dois, mas como tenho um trabalho “normal” , preciso fazer coisas em horários flexíveis e preciso de gente para trabalhar comigo que também tenha muito o que fazer e entenda essa minha agenda maluca , caso contrário em dois tempos serei jogada para escanteio, trocada por alguém que tem tempo. Se eu fosse uma menina abençoada o suficiente para poder ficar uns 2 anos sem trabalhar, tentaria a sorte numa big empresa, numa agência de PR onde teria acesso a varias marcas, ou uma revista bem badalada, qualquer coisa bem bacana mesmo. É muito mais fácil do que se imagina trabalhar com isso se for assim, de graça, tipo num estágio mesmo. Uma menina que fez o curso comigo, no último dia do curso (o de 2 meses) contou que conseguiu um emprego desses no Mcqueen, tem noção? Ela é formada em artes, fala frances que já ajuda muito , trabalhou com moda, mas era recem chegada em Londres, da Bélgica. Tinha um inglês razoável, não é a pessoa mais estilosa do mundo , alguém normal como eu e você. As vezes colocamos o mundo de “gente importante” da moda num pedestal, quando na verdade a estrutura é igual em qualquer lugar, os problemas são os mesmos, tudo igual, só muda a proporção das coisas. Com toda sorte que tenho, conheci uma fotógrafa que trabalhou anos para a Getty images, que é uma gigante nesse mundo de fotos de celebridades, e já trabalhou com todo mundo que voces pensarem. Caí nas graças dela, sabe Deus por que, e como ela está renovando seu portifólio, fizemos algumas coisas juntas. Também trabalhei na produção de um video clip da banda Disappears. Tenho a intenção de continuar fazendo essas coisas no meu ritmo, quando algo que me agrada aparecer, e também fazer algo ligado a Personal Styling que é um trabalho que me encantou muito, me pareceu mais tranquilo e gratificante que os outros. Mas a verdade é que mudei muito minha opinião em relação a trabalhar com moda depois que vi a coisa de perto. E aí entro numa outra questão, que é (sobre)vivendo de moda , financeiramente falando. E a pergunta é, depois de passar pelos estágios de pobreza necessária de qualquer início  profissional, a coisa melhora ou não? Eu não sei viver contando centavo. Não que eu não conte na minha vida ,rs. Mas as possibilidades de trabalho, a estrutura , o salário no final do mês, tudo isso no Mercado financeiro é completamente diferente do mercado da moda. O que eu vi por aí é uma realidade muito parecida com a do mundo da música. Meu marido é músico como vocês sabem, e sei como é difícil a batalha. Ele tem muita sorte por dar aula em escola primária, ter shows semanais nas memas casas noturnas há anos e anos,mas no geral a vida de músico é muito instável, e isso não é para mim, não tenho cabeça para viver assim, acaba desestabilizando toda minha vida. E foi assim que acabei valorizando coisas no meu trabalho no banco que nunca imaginei, descobri que é muito melhor do que pensava. Eu não sei que rumo vai tomar minha vida com a moda, mas sei que ficar uns 2/3 anos trabalhando de graça com gente estressada, engolindo sapo como se estivesse recebendo milhões porque tem umas mil querendo o meu emprego, para depois sair para o mercado da incerteza, do um dia tem e outro não se sabe, até conseguir uma estabilidade não é algo que procuro para mim nesse momento da vida. Sei muito bem que o mercado da moda é imenso e essa realidade assustadora não é para todos, cada um constrói sua história profissional na área, mas por aqui essa seria exatamente a minha trajetória, e eu estou super fora disso. Falei esse monte, para dizer que o trabalho voluntário, ou estágio é muito bacana não só para engrenar na área, conhecer gente, ter experiência etc, mas para você sentir aonde realmente está amarrando sua égua. Pode ser muito melhor do que se espera, ou você pode chegar a mesma conclusão que eu: muito legal, mas não quero ter compromisso com isso, não quero viver só disso. A moda ainda é uma paixão, sempre vai ser para mim, e quero alimentar essa paixão sem precisar viver dela porque a realidade que me foi apresentada não é o que eu quero. Vou sempre fazer esses trabalhos , voluntários ou não, e se no futuro uma outra realidade mais interssante bater a minha porta ficarei muito feliz em abri-la. Principalmente se vier acompanhada de música, teatro e cinema. É isso, gente!

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Minha experiência na Central Saint Martins

junho 22, 2011 15 comentários

Finalmente vou falar um pouco sobre a minha experiência nos dois cursos que fiz aqui. Vejam bem, apesar de ser na mesma escola, os dois são muito muito diferentes e por isso mesmo acho super válido dividir com vocês. O post é enorme, desculpem! Ficou dificil resumir, por isso não colocarei fotos. Fiz um curso de 2 meses, uma vez por semana e outro de 4 dias, super intenso , de manhã até final da tarde non stop, mas com praticamente a mesma carga horária do de 2 meses.

Aí que eu tive uma experiência super positiva em um, e nem tão positiva em outro. Como boa “Poliana” que sou acho que foi muito válido mesmo a nem tão positiva. Como sei da vontade de muita gente estudar aqui , acho importante dar uma opinião sincera, realista e não deslumbrada  do que são alguns cursos na Central Saint Martins, que apesar de ter um nome de peso não é perfeita.

Começando pelo prédio. Os dois prédios deles onde fui,o de Paddington e o de Charing Cross são um lixo. Mas como o lixo de um é o luxo de outro, para os estudantes da parte criativa é uma beleza. Pode se escrever nas paredes, colar tudo quanto é tipo de foto, fazer arte mesmo. O prédio caindo aos pedaços faz parte da vibe meio trash de Londres, das misturas, do novo com o velho, de tudo que a moda e arte londrinas representam.  Daqui a alguns meses eles mudarão(ou já mudaram?, não sei!) para um prédio em King’s Cross mais novo e menor, então essa é uma opinião com data de validade quase vencida. O prédio caquético só dá um choque inicial para quem tem uma idéia formada a respeito da CSM, ele não atrapalha em nada o andamento do aprendizado.

Passado o susto , vamos aos fatos que realmente importam.

A visão que tenho da Saint Martins é como uma Universidade federal brasileira. As federais tem uma super fama de ótimas Universidades mas a verdade nua e crua é que o aluno da Federal tem que cortar um dobrado. Ser auto didata, pesquisar, e ser o mais independente que puder. Pensando assim, de onde vem a fama toda? Dos professores, que em geral além de terem muito conhecimento, tem nome. Isso foi algo que senti muito na Saint Martins também. E conversando com pessoas que fizeram muitos e muitos cursos lá  e com professores sobre os cursos de graduação e pós, vi que esse é uma filosofia deles. Orientar sim, mas impor jamais.Muito londrina por sinal.Um dos professores desse ultimo curso que fiz também é professor de cursos de graduação e pós. De acordo com ele os professores não interferem em nada na criação da coleção de conclusão de curso. Os alunos fazem exatamente tudo, e eles só orientam, em momento algum vetam  aluma idéia deles. Até porque somente 40 coleções são mostradas no desfile oficial . Mas eu acho que com o pouco tempo dos cursos curtos toda ess liberdade vira uma confusão. É muita informação, pouco tempo, e sem a organização necessária fica muita informação perdida, muita coisa embolada.

Talvez até por isso que o Senac tenha cursos tão bem sucedidos.A maioria dos cursos são curtos e você tem que sair profissional no determinado assunto de lá. Então tem um cronograma, um método a cumprir. Isso é algo que realmente falta nos cursos da Saint Martins. Isso falando no geral. Pode ser que um professor ou outro siga um caminho diferente, mas esse é o estilo da escola, então é mais ou menos isso que se deve esperar de um curso deles.

A  liberdade pode ser positiva também,porque os professores sentem o que os alunos esperam do curso na primeira aula e dali eles direcionam  de acordo com as expectativas.

Mas num curso de 4 dias o tempo é muito curto para os alunos criarem um laço com o professor a ponto de falar exatamente o que eles esperam daquilo e as coisas podem tomar uma direção confusa, frustando quem pagou por aquilo.

No meu curso de 2 meses a professora era completamente maluca , 0% de diática, chegou atrasada em TODAS as aulas e faltou uma,mas ela está muito por dentro do mercado, e isso ajudou MUITO! O curso de 2 meses era Fashion and communication for the music Industry. Super específico e ao mesmo tempo pensa no tanto de coisa que dá para falar sobre isso. E a minha fessora já foi Stylist de várias bandas conhecidas, como Kings of Leon por exemplo, mas a profissão dela é jornalista. Ela escreve regularmente para algumas revistas de musica e para jornais, tem poesias e livros publicados, e tenho a ligeira impressão que essa é sua paixão, então tivemos muitas atividades ligadas mais a parte de comunicação do curso do que moda. Foi muito interessante, e bem desafiador. Pensa só escrever a idéia total de video clip baseado numa música real, uma banda também real, com direito a escolher todo o figurino. Trabalho de diretor, roterista E stylist.

E no final do curso ela também nos proporcionou algo mais que demais: uma sessão de fotos com modelos que estão no mercado, com fotógrafo top top e maquiadores ótimos.

E o nosso trabalho foi criar toda a idéia das fotos baseada numa determinada banda desconhecida, mas real, fazer o casting das modelos, arrumar as roupas, etc. Uma situação real e muito válida para quem quer ser stylist.

Já o curso de uma semana foi de Personal Styling, e foi muito mais uma decepção do que amor.

Não vou dizer que não aprendi NADA, mas eu achei o curso deveria ter níveis, e se tivesse que escolher algum para esse, seria o o primeiro estágio de Personal Styling. A notícia boa é que London College of Fashion, que é um primo da Saint Martins,tem um curso de Personal Styling dividido por níveis, e tem boas referências.

Para quem se interessa e se informa sobre moda, tem já alguma noção, achei o curso bem vazio.

Eu já tive uma base no outro curso, gosto de moda e leio bastante, então não acho que acrescentou tanto assim para mim. O fato de observar as pessoas numa cidade onde todos somos muito expostos a moda , e principalmente onde as pessoas não tem medo de ousar na hora de se vestir também me deu uma certa base nesse assunto também.

Outro fator que contriubui para não ser tao maravilhoso é o tempo.  4 dias não é o  suficiente. Por mais que a carga horária seja quase a mesma, é muito diferente receber toda a informação num espaço de tempo que dê para “digerir”melhor. Uma coisa super negativa que eu também achei, é que a sala não é homogênea. Não no sentido de serem pessoas de idades, culturas, diferentes.Isso é até muito legal.Mas no sentido de objetivo mesmo. Cada um esperava uma coisa do curso, e isso deixa o professor sem foco, que nem barata tonta. Muita gente do meu curso fez aquilo para aprender a se vestir, e muita gente para trabalhar com isso. Dentre os que queriam trabalhar, cada um queria uma coisa diferente. Quando a gente se juntou , conversou e tentou organizar a bagunça era tarde demais.

Resumo da história: os dois cursos que fiz sofreram o mesmo problema-falta de organização. Muita informação solta, nenhum cronograma, pouca informação sobre o curso na hora da matricula (o que faz a sala não ser nada homogênea)e online, professor/orientador que sabe muito do assunto mas não sabe dar aula.

Milhões de outras faculdades tem graduação de moda, cursos rápidos etc.

Porém  as mais conhecidas mesmo são as que fazem parte da University of the Arts London,  da qual a Saint Martins, College of Fashion e outras fazem parte. Tem o Instituto Marangoni também, que é super comentado, mas não conheço uma pessoa que tenha estudado lá e saído satisfeita. Talvez tenha sido coicidência, vai saber, mas a reclamação é sempre a mesma: muitas regras, muita teoria, e a parte da arte em si fica esquecida. Será que colocando a Saint Martins e eles num caldeirão e mexer sai a faculdade perfeita?   E por fim,fica uma constatação. Uma coisa que me disseram antes de começar a fazer qualquer curso era que eu deveria fazer vários trabalhos voluntários e isso me daria muito mais base do que qualquer curso e não custaria nada. Muito verdade! Os cursos valeram e acho importante estudar, não me entendam mal, mas nada substitui a prática. Sem contar que uma coisa muito importante para quem trabalha com moda é ser conhecido , e o trabalho voluntário faz isso.Eu tenho feito vários trabalhos assim, e por isso mesmo minha vida aqui no blog está quase nula. Tenho o meu trabalho de sempre, que anda mais puxado e muito mais interessante que antes, tenho esses voluntários que me dão um prazer enorme mas nenhum dindin mas tomam tempo, e tenho a minha vida para cuidar também. É duro! Mas vou tentar não deixar o blog tanto às moscas, promise!  Não posso mais acessar o blog do trabalho, e nem se desse teria tempo, e o tempo “livre” nunca é livre mesmo.  Mas prometo me esforçar mais! Para quem teve paciência de ler até o fim, espero que tenham gostado!

Moda e música

novembro 9, 2010 14 comentários

Resolvi  falar um pouco do meu curso aqui com vocês!

Ninguém me aguenta mais falando nisso, mas assim é a minha vida no momento. Uma alegria de aprender essas coisas lindas que não cabe mais em mim.

Primeiro vou contar o nomão do curso: Fashion Styling and Communication for the Music Industry.

Resumindo é  Moda e comunicação para a industria da música.

Eu sei que é uma profissão nova e pouquíssima gente vive só de moda para música. Por isso mesmo as pessoas tem uma tendência a subestimar, ou mesmo não entender a importância que isso tudo tem. A ligação entre  moda e música é algo que não se pode negar, né? David Bowie, Madonna, Michael Jackson , Lady Gaga , Beatles e tantos outros já mostraram isso. O que poucos sabem é que para fazer um trabalho bem feito nessa área tem que estudar, pesquisar, ser muito geek mesmo. Alguns tem a sorte de cair nesse mundo e ter muitas oportunidades sem mesmo precisar estudar numa escola, como eu estou fazendo. Mas fazendo ou não um curso a respeito, é preciso estudar por conta própria, ler, saber de muita coisa mesmo.

Algumas coisas que aprendi :

- Quase nada é tão bom que não possa melhorar. Sim, existem muitas bandas , cantores e artistas super estilosos, mas acreditem, eles ainda podem melhorar.  Porque eles entedem o próprio estilo, mas não estudaram e entenderam a indústria como você, que vive só para isso: entender como essa máquina funciona e fazer a coisa dar certo.

- Você tem que conhecer as pessoas e o trabalho delas. Do diretor do clipe ao fotógrafo. O estilo de foto, vídeo, da maquiagem, do cabelo ,de tudo. Essas coisas mudam muito o seu trabalho. Aliás, dependendo delas , toda a sua pesquisa, todo suor pode ir por água a baixo. Mas se você conhece bem todo o seu universo, com pouco esforço o seu trabalho pode sair bem melhor do que a encomenda.

- Conexão. É importante conhecer o artista, mas tão importante quanto é conhecer a música dele.

- Não esquecer a história. Sim, a moda e a música também tem a sua história, e é importante saber muito bem sobre ela. Tanto para referência quanto para  aprendizado em si.

-Detalhes tão pequenos de nós dois. Sim eles mudam tudo. Afinal de contas, nem sempre é o que se usa, é COMO se usa. Detalhes para quem trabalha com moda podem se transformar de coadjuvantes em protagonistas.

E são muitas outras coisas!

Ainda estou devendo um post sobre cursos em Londres. Preciso pesquisar um pouco mais sobre , pois quero falar de cursos não só de moda,mas também  de maquiagem, artes, etc.

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