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Archive for the ‘Filosofia de botequim’ Category

Conforto ou vaidade?

dezembro 18, 2010 5 comentários

O mês de novembro foi muito frio neste reino. Depois de nãoseiquantos anos nevou nãoseiquantos centímetros, tudo ficou paralisado,a Inglaterra virou Escandinávia em pleno outono.

Eu sempre ouço muita gente dizendo que ama frio. Pelo menos 99% delas não tem noção do realmente significa morar no frio. 10 graus é tempo gostoso. 5 graus é friozinho. De 0 para baixo é que começa o frio. E aí vem a neve. E com a neve vem os tombos, os trens cancelados, os aeroportos fechados, as inconveniencias que amamos. E com isso tudo acontecendo, muitas vezes a última coisa que eu penso é em fica bonita. Eu quero ficar quentinha, quero colocar um sapato apropriado para não cair, quero virar um cebolão e me encher de camadas de lã como se não houvesse amanhã.

Para vocês terem noção do drama, enquanto eu escrevo no quentinho do meu lar, olha só como está lá fora:

Mas eu fico boba como ainda tem gente que faz tudo pelo carão. E sem exagero, isso pode custar a vida. Vocês tem noção que só neste pais, 6 pessoas morreram por acidentes causados pela neve em 15 dias? Aí eu fico pensando se realmente temos que fazer todo sacrificio do mundo todo o tempo para ficarmos lindas. Tem dia que eu saio com a minha bota de neve feiozinha. Mas saio feliz porque ela é super quente e não escorrega. Quando quero sair melhorzinha e a neve está castigando, uso uma galocha bonita com meia de neve por baixo. A gente tem mesmo que usar  a imaginaçào para não sair que nem um espantalho, experimentar, mas as vezes vale muito deixar a vaidade um pouco de lado para ser feliz e ter conforto.

E no Brasil é igual, mas diferente. A gente quer tirar tudo, quer só se preocupar em não derreter. Mas assim como aqui, tem gente que acaba em água mas não tira o cachecol.

No final das contas o princípio é o mesmo para todo mundo.

É saudável  e importante ter vaidade, querer sair linda, mas tem época que o melhor é relaxar e usar a imaginação(e  esse é outro princípo que vale para muita coisa!).

O que eu quero no meu inverno é edredon, aquecedor, cobertor de orelha, meia grossa, e muita compra de supermercado online pois sair nesse gelo é dureza.

No meu verão brasileiro eu quero pouca roupa com elegância, batom de cor forte, água de coco, água normal, água termal, muita água de sal, todas as águas do mundo. E principalmente, um beijo bem suado da família e dos amigos para esquentar a outra metade do meu inverno na volta.

A vaidade vai ficar em mim, as vezes muito viva , outras nem tanto, seguindo o ritmo do meu humor, do calendário e do aquecimento global.

Um beijo a todos!

E a gente amadurece

novembro 22, 2010 2 comentários

Pois é , eu sempre falo de mudança aqui, pois ela é a única certeza da minha vida.

Estou sempre mudando!

E as vezes quando falo isso as pessoas pensam que sou volátil , mas não. Mudança é amadurecimento.

É assim que eu vejo.

Ai de mim se eu ouvisse New Kids on the block para o resto da vida.

Mas ao mesmo tempo quando ouço, me lembro do já fui. É bacana.

Ao mesmo tempo, tem coisa que nunca muda.

Eu, provalvemente, sempre vou gostar de Guns N’ roses e Nirvana.

Acho bom não mudar isso.

E assim é para tudo na vida , né não?

Tenho notado uma mudança enorme na minha maneira de vestir.

Estou numa fase super econômica, querendo usar o que tenho, combinando as coisas sem precisar sair as compras para isso.

E ando super nervosa com as estampas de coraçãozinho, lacinho, bolinhas do meu guarda roupa

Não vou me desfazer de nada, quero aprender como usar essas coisas na nova fase.

Acho que tudo isso é um fruto do que estou aprendendo, vendo, lendo, tanta informação na minha cabeça!

Hoje dei para analisar minha maneira de vestir com o que vivi na época, e vejo claramente como a gente reflete o que é, e o que está vivendo na hora de vestir.

E é assim que deve ser. A nossa maneira de vestir tem que refletir um pouco do que somos, tem que ser uma forma de expressão também.

Lembra de quando todo mundo usava tal tênis, ou tal marca e você também?

Isso só relfete o seu desejo de ser igual, de fazer parte de um grupo. Qual adolescente não viveu essa fase?

Pensa bem como você se vestia quando começou a notar os meninos a sua volta?

As roupas mostravam mais seu lado mulher do que menina, não é?

Porque é isso que a gente passou a ser!

E quando você começou a faculdade?

Os publicitários se encheram de cores, os advogados de terninhos, e por aí vai.

Uma coisa é o espelho da outra.

Por isso eu mudo sem culpa.

Eu é que não quero ser a mesma para sempre.

A essencia continua, mas o resto pode evoluir!

Nada se cria, tudo se copia. Mesmo.

outubro 28, 2010 2 comentários

Inspiração/evolução

Cópia

Até tu, Givenchy?

A pergunta é uma só: no ano 2010, depois da classe dos anos 50, da loucura dos anos 60, das misturas dos anos 70, das cores dos anos 80, ainda é possível fazer algo totalmente inovador?

Entendendo o Twitter

Sou relativamente nova no twitter. Criei uma conta para mim no final do ano passado e nunca usava. Até que criei outra com o nome do blog e me viciei rapidamente. Por algum tempo virou o meu maior vício internético , já que com um cliquezinho no celular aquele mundo se abria. Quer saber da última novidade? Vai no twitter. Quer saber quem ganhou a copa? Está todo mundo comentando por lá. Tudo a um botão de distância. Mas a verdade é que não sei usar essa ferramenta ainda. E quando comecei a notar como funciona mesmo, fiquei meio decepcionada. Sou uma pessoa apaixonada pela sinceridade. No momento x quando alguém me diz realmente o que pensa de mim, ou de qualquer coisa relacianda a minha vida, e esse comentário não me agrada sou igual a qualquer pessoa. Ninguém gosta de ouvir coisa negativa. Mas depois que a cabeça esfria, eu admiro a pessoa. Eu gosto de ouvir e  falar a verdade. Sem essa de não sei mentir pois está no DNA do ser humano, quase todo mundo sabe mentir quando quer. Eu sei muito bem. Mas não gosto. Me embrulha o estômago, me faz dormir mal. E para quê falar tudo isso se o assunto é twitter? Porque o twitter para mim, com o tempo, acabou perdendo encanto exatamente por isso. Por não poder ser eu mesma, falar exatamente o que penso de determinadas coisas sem que todos os meus seguidores me abandonem. Acho isso muito vingativo. Se eu falar isso,vou perder pelo menos uns 20(dos 100,kkk) seguidores.  Não entendo essa lógica muito bem. Nao estou sugerindo que o twitter vire muro das lamentações, muito menos palco de barracos e arranca cabelo. Não mesmo. Mas ser você mesma pode, gente? Sei não… Sei que há perfis 100% informativos, outros 100% pessoais, em suma, cada um tem seu objetivo quando usa o twitter, seguindo ou sendo seguido.Por isso mesmo ando questionando o fato do meu estar no nome do meu blog, já que muitos dos  meus tweets são pessoais. Mas o que se espera de um twitter de blog? Queria propor essa conversa para aprender com ela, aprender a usar melhor a ferramenta sem perder(mais) o encanto.

Marca x Preço x Qualidade

agosto 5, 2010 9 comentários

Dia desses passeava por um loja de uma libra(tipo as de 1,99 do Brasil), quando vejo uma estante lotada de shampoo e condicionador Schwarzkopf(nomezinho desinfeliz que só o santo Google para ajudar!). E aí bateu aquela dúvida. Não é esta a marca de shampoo que custa minha córnea, com cicatriz e tudo no Brasil? Sim, a própria. Impostos e preços tupiniquins ridiculamente altos à parte, isso me fez pensar. Assim como pensei quando encontrei várias coisas que tenho em casa pelo dobro do preço na Urban Outfitters, assim como vejo sempre uns absurdos por aí. Ok, não sou burra e bem sei que muita coisa vai para outlets e lojas de promoção pois encalharam no estoque, porque o prazo de validade está prestes a vencer(no caso de produtos perecíveis) etc. e tal. Ok, eu aceito e entendo. Mas vem comigo. O produto pode custar até 100 reais, minha gente. Meninos eu vi no mercado livre! E aqui ele custa menos de 3 reais, numa loja onde tudo custa 1 libreta(incluindo maquiagem revlon, e cosméticos de marcas legalzinhas). Eu repito, menos de 3 reais(não se faz libra como antigamente). Quanto a marca esta comendo nessa brincadeira? Até que ponto pagamos realmente por qualidade? Quanto vale uma marca? Você compra marca, qualidade ou preço?

Eu ando me questionando tudo isso nos últimos tempos. Sempre fui super barganheira. Tenho uma queda pelos baratinhos. Prezo pela qualidade também, mas muitas vezes fui só pelo preço, no meu caso preço baixo. De uns anos pra cá ando mais exigente. Querendo qualidade com Q maiúsculo. E desejando algumas marcas nunca dantes navegadas. Marca de gente grande, de mulher distinta.

E desde que  comecei a frequentar umas lojas melhores, notei que nem sempre se tem o que preço que se paga, em suma, qualidade não é necessáriamente preço alto. Uma marca não se constrói só de qualidade, também sei. Nõa estudei, mas imagino que a tradição, originalidade, tempo de mercado e tantas outras coisas fazem parte do preço. Mas para o cliente, o que conta, ou deveria, é a qualidade e ponto. Já manifestei minha antipatia por marcas viajantes e que cobram preços de celebridades, como Hermés, por exemplo. Não concordo com esses preços, e tenho nojinho dessa seleção de clientes por preço que marcas assim fazem, pois só mesmos gente muito rica, ou maluca, paga os valores na lua deles. Hoje eu faço a mística e vou pela intuição. E pelo olho porque não sou boba. Sou uma cliente super chata, checo o caimento da roupa, o acabamento, o preço , tudo que eu julgo importante. Não vou dizer que sou imune à marcas ainda. Atire a primeira Prada quem nunca se deixou levar só por um nome. Mas hoje eu procuro um conjunto de coisas na hora de gastar o meu rico dinheirinho. E não é só preço baixo que me convence, nem a marca tal, tem que ter muito mais.

E vocês, compram marca, qualidade, preço ou fazem um balanço disso tudo?

Os efeitos do desafio na minha cabeça

abril 23, 2010 13 comentários

Lá se vão quase dois meses do início do desafio.Para quem não sabe o que é , clique aqui. Esse tempo foi bom para pensar em como e com o que eu gastava meu dinheiro e como será daqui para frente. Aliás,falta pouco para acabar!Mas nesse tempo não tive vontade de comprar muita coisa. Tenham em mente que vivo numa cidade que chama a compra. É promoção para todo lado, muita coisa barata e legal, muito apelo de todo o tipo de mídia. E para quem curte moda, sendo consumista ou não, fica muito difícil se segurar, exatamente pela facilidade de ter o que se quer por um preço possível para todos os bolsos.

Sem contar que numa cidade com a demanda como a de Londres, em qualquer esquina tem uma farmácia que vende milhões de maquiagens, ou uma loja bacana, não precisa atravessar a cidade para fazer compras! Sempre há  alguma loja interessante perto de casa, do trabalho ou da academia pois tem gente demais e qualquer budeguinha vende. Fazendo um paralelo, seria como fazer regime e ter o Jamie Oliver como flatmate cozinhando para você todo dia, ou colocar um homem casado e mulherengo para morar numa casa com 10 capas da playboy e esperar que ele seja fiel, pedir para um maconheiro não fumar em Amsterdã. Esse é o grau de dificuldade para qualquer pessoa que curte moda não comprar além da conta em Londres, entendem? Dentro destas circunstâncias acho que ando me saindo super bem.  Aprendi também que consumo é uma coisa que a gente estimula ou não, e escolhi deixar o meu lado consumista quieto já que o apelo está em todo lugar, o mínimo de estímulo involuntário já acontece. Pelas poucas lojas que passei nos últimos tempos, vi coisas que teria comprado se não estivesse nessa situação, e que não me fizeram a menor falta! Então a partir de agora quero fazer aquele exercício básico de pensar se realmente preciso daquilo, quantas vezes vou usar e se a compra se “pagará”com o uso.  Exatamente por todos esses fatores juntos, as poucas coisas que realmente quero comprar são as básicas.  Uma calça skinny, uma blusa branca(ando numa fase blusa branca, t-shirt), um tênis branco e outro mais moderninho que dê para ficar mais arrumadinha, um brogue caramelo e uma bolsa/maleta.  Não me importo de pagar um pouco a mais por eles, quero coisas decentes, que durem,sabe?

Acho que único item não básico e completamente desnecessário que estou coçando para ter são uns óculos retro, que pode ser um modelo levemente gatinho, ou mais arrendondados. Eu amo óculos de sol, tenho muitos e uso demais. Só para constar, vi ontem num brechó um Sonia Rykiel exatamente como eu quero, por 60 libras. Eu me declarei para os óculos de gatinho mais lindo de todos e dei adeus. Romeo e Julieta, amor proibido. Também vi um brogue caramelo por 5 libras, eu repito: 5 libras. Maldita rua de Portobello! Enfim, tudo isso para vocês entenderema razão de estar tão orgulhosa por seguir em frente com isso e por que chamar de desafio. Até tirei uma foto do brogue para vcs.

Sentiram o drama? hehehe

Acho que todo mundo deveria ficar um tempo sem fazer algo que está em excesso na vida para perceber aonde está o erro, como fazer para melhorar, como mudar a atitude para transformar esse excesso em algo positivo. Ano passado fiquei muitos meses sem beber e foi ótimo. Não bebia além da conta para o padrão geral, mas achei que estava  exagerando de acordo com o que EU acho bacana e decidi parar por um tempo. E não deixei de sair, de me divertir, de viver como antes.  Hoje consigo ver claramente quando um drink pode somar e quando não faz a menor falta. E já fiquei um tempo sem comer chocolate, sem tomar refrigerante, sem várias coisas, e com todas essas encontrei um pouco mais de equilíbrio. Estranho ter que ir a um extremo para encontrar o centro, mas comigo funciona. Pode parecer meio bobo parar para pensar na vida por causa de compras, chocolate, cerveja, mas  a gente deve tirar proveito de tudo que passa na nossa frente, até as futilidades tem seu papel na história de cada um. É isso gente, queria compartilhar o que tem passado na minha cabeça  por conta dessa idéia de ficar sem gastar por um tempo.

A menina que mora em Londres

abril 15, 2010 16 comentários

Já faz um tempo que eu procuro uma maneira de dizer alguns pensamentos sobre morar fora do país e do abismo que existe entre o que muita gente fantasia e a realidade.

As pessoas supervalorizam, né?

Mas a pergunta é,  por que?

Acho que não poderia falar sobre isso sem buscar na minha vida as respostas, mas realmente acho que acontece com muita gente na mesma situação que estou.

Londres é linda, democrática, cosmopolita, moderna e antiga ao mesmo tempo. Sim, Londres é o máximo. Assim como Paris é, assim como NY deve ser, assim como o Rio de Janeiro é.  Lugares são como pessoas,  algumas  se destacam, a natureza foi mais generosa com umas do que com outras, a sorte e a história também. Não dá para negar isso, nem tentarei.  Mas viver numa cidade assim te torna tão especial e diferente ?

Hummm, não.

Não quero bater na tecla de que o que se tem aqui se tem em qualquer lugar, não é isso. Tenho consciência que muita informação chega antes, que existe uma facilidade maior de encontrar novidades em geral, é muito mais fácil viver de arte por essas bandas, ixxi é uma lista enorme de coisas,  tenho noção dessa diferença  que não é lenda, existe mesmo. Também devo ressaltar que viajar muda sim uma pessoa. A gente aprende com o novo, a gente respeita outra cultura quando entende melhor de onde ela vem, a gente fica mais tolerante com as diferenças, pelo menos quem viaja e não só faz turismo. Mas este post não é sobre viagem, é sobre vida.

E a tecla que quero bater é outra. Eu queria entender por que as pessoas pensam que é mais especial viver fora do Brasil que em qualquer outro lugar. No sentido de acordar, andar, tomar banho, fazer xixi, respirar, entendem?

Acho que as pessoas fazem uma idéia diferente do que é morar fora do país até viverem a experiência. E não digo passar uma temporada, digo viver mesmo, sem passagem de volta. Pensar que dali para frente, aquele é seu lar, até você mudar de idéia e querer recomeçar mais uma vez, é ali onde você vai ter seus filhos,  casar, mudar de emprego, comprar sua casa. É como ser como ser casada com uma celebridade(deve ser, penso eu). No início é tudo muito cinematográfico,  fotogênico, muito mágico. Depois de um tempo a pessoa é como qualquer outra, uma pessoa que faz parte da sua vida. E como em qualquer relacionamento, tem alegrias e dissabores. Mas de vez em quando você ainda olha para a pessoa e pensa, “nossa, estou casada com esse cara que eu via na televisão, tão especial e disputado”. Deve ser assim. É assim que eu me sinto em relação a Londres. Eu brigo com Londres, eu xingo Londres todinha, eu odeio Londres, eu amo Londres, eu nunca vou sair de Londres, eu arrumo as malas e vou embora agora, fui para aerporto. Mas que fique claro, é assim que me sinto quando vou ao Brasil, é assim que me sentia quando morava em Vitória. Nossa, eu sou desse lugar, essa é minha referência. Essa praia linda faz parte da minha história, do que sou, essa alegria de viver tem no meu DNA, olha a tarde caindo a ave maria tocando e o pescador puxando a rede, olha a capoeira rolando num domingo de manhã, sente o cheirinho do mar, ouve o quebra queixo, olha o sol se ponde, esse céu azul só existe aqui, sou de um lugar onde as pessoas brilham e são diferentes.  E depois de uma ida à caixa econômica o discurso muda. Eu odeio aquele lugar, vou arrumar as malas agora, eu nunca voltarei a morar aqui, as pessoas não tem educação, será que ninguém sabe falar por favor? Viu como é igual?Tudo tem dois lados.  E o mais louco  é saber que muitas pessoas sonham e fantasiam uma vida sem ter a mínima idéia do segundo lado.  Elas querem poder usar casaco de pele, comprar na H&M,  comprar na Sephora de Paris, contar para amiga que ela já tem a bolsa nova da marca x que nem chegou no Brasil, elas inclusive preferem ser assaltadas em Paris à andarem em Ipanema com medo de esbarrar com um possível ladrão, imagine que chic ser assaltada em francês. Elas reclamam do calor infernal sem tem a mínima idéia que reclamariam do frio glacial. Tudoamesmacoisa.

Ai você me pergunta por que estou aqui se é tudo igual.  E eu digo. A minha escolha de viver aqui nada tem a ver com o glamour que as pessoas inventam, ou com o fato de que Fulaninha e Beltrinha vão me achar o máximo, ou de  poder  comprar o armário inteiro da Topshop, ou disso ou daquilo. Viver aqui para mim é uma decisão muito mais complexa, que envolve a minha vida e o que será melhor para mim no contexto geral, profissionalmente em especial, que não tem nenhuma relação com as bobagens que algumas pessoas pensam e valorizam, isso nunca fez a menor diferença nessa minha escolha. Mas é assim que tanta gente me vê.  Gente que não faz parte da minha vida(nem poderia), mas que esbarra comigo por aí, que esbarra com a mocinha moradora de NY que pensa como eu, que esbarra com a menina que mora em Milão e também não está nem tchum para toda essa bobagem. E essa gente  esquece o que eu penso de verdade, o que eu  enxergo, as minhas idéias. O que vale é o mundo que me envolve. Não que ele seja desimportante para o que eu sou e no meu amadurecimento ao longo dos anos, mas sou muito mais do que aquela menina que vive em Londres.